Carregando...
 
Skip to main content
id da página: 9699 DIADOCO DE PHOTIKI CEM CAPÍTULOS SOBRE A PERFEIÇÃO ESPIRITUAL Diadoco

Diadoco de Photiki Gouillard II


68. A maioria das vezes, nosso intelecto tem dificuldade em aceitar a oração, por causa da extrema restrição da virtude da oração; em contrapartida, dedica-se com alegria à teologia, devido aos grandes espaços isentos das contemplações divinas. Para impedi-lo de querer falar demais e, na sua alegria, querer voar além dos seus meios, apliquemo-nos com maior freqüência à oração, à salmodia, à leitura das Santas Escrituras, sem negligenciar as pesquisas dos sábios, cujas palavras são a garantia de sua . Agindo assim, não misturaremos nossas próprias palavras à linguagem da graça e não deixaremos a vangloria arrastar nosso espírito à agitação de uma verbosidade excessiva. Ao contrário, na hora da contemplação, nós o manteremos protegido de toda imaginação; assim, acompanharemos de lágrimas quase todos os nossos pensamentos. Descansado na hora do retiro e principalmente penetrado pela mansidão da oração, o intelecto escapará às causas citadas. Mas, além disso, irá renovar-se cada vez mais, para dedicar-se aos pensamentos divinos, prontamente, e sem esforço; ao mesmo tempo, progredirá na contemplação, com disposição de discernimento muito humilde. Contudo, é preciso saber que existe uma oração para além de qualquer liberdade: é a parte dos que foram imbuídos da santa graça, num sentimento de certeza absoluta.

73. Quando a alma se encontra na abundância de seus frutos naturais, aumenta o volume da sal-modia e prefere a oração vocal. Quando é movida pelo Espírito Santo, ela salmodia em completa calma e suavidade e ora unicamente com o coração. A primeira disposição é acompanhada de uma alegria mista de imaginação; a segunda, de lágrimas espirituais; depois, de uma alegria ávida de silêncio. Porque a lembrança, guardando o seu fervor, graças à discreção da voz, prepara o coração para gerar pensamentos misturados com lágrimas e com serenidade. É exatamente aí que se pode ver semear com lágrimas, na terra do coração, as sementes da oração, na esperança das colheitas futuras. Todavia, quando estamos oprimidos por uma grande tristeza, devemos elevar um pouco a vez de nossa salmodia, fazendo vibrar a alma sob o arco alegre da esperança, até que essa pesada nuvem se dissipe ao som da melodia.

81. A palavra da ciência nos ensina que existem, por assim dizer, duas raças de espíritos maus, Uns são como que mais sutil, os outros mais materiais. Os mais sutis combatem a alma; os outros cativam a carne, por meio de abundantes consolações. Assim, uma hostilidade recíproca e constante opõe os demônios que combatem o corpo aos que combatem a alma, embora partilhem o mesmo desígnio de prejudicar a humanidade. Quando, pois, a graça não habita no homem, eles se alojam nas profundezas do coração, ccmo serpentes, impedindo a alma de dirigir o olhar para o lado do desejo do bem. Quando a graça se esconde no intelecto, esses demônios atravessam as partes do coração, como nuvens; tomam forma de paixões pecadoras e de distrações multiformes, para arrancar o intelecto à sua familiaridade com a graça, distraindo a memória. Quando, pois, os demônios que perturbam a alma nos inflamam pelas paixões desta mesma alma, principalmente pelo orgulho, pai de todos os pecados, humilhemos o crescimento da vangloria, pensando na dissolução futura de nosso corpo. Nossa atitude será a mesma, quando os demônios inimigos do corpo se dedicarem a despertar, em nosso coração a fermentação dos maus desejos. Esse único pensamento, unido à lembrança de Deus é suficiente para anular todas as espécies de maus espíritos...

83. O coração gera, de seu recôndito, os pensamentos bons e nãc bons. Não que ele traga em sua natureza os pensamentos que não são bons; mas adquiriu, depois do primeiro erro, o "hábito" da lembrança do mal. Recebe a maior parte dos maus pensamentos da malícia dos demônios... Pois, aquele que se compraz nos pensamentos que lhe sugere a malícia de Satã e que grava, por assim dizer, a lembrança destes no coração, vai gerar depois, evidentemente, aqueles pensamentos maus.

85. ... A graça, de início, dissimula sua presença a quem é batizado: ela espera a resolução da alma '. Uma vez convertido inteiramente o homem ao Senhor, então, por um sentimento inefável, a graça manifesta ao coração sua presença. Depois, mais uma vez, espera o movimento da alma; ela permite que as setas do demônio penetrem até o íntimo do seu sentido, para fazê-lo procurar Deus, com resolução mais ardente e disposição mais humilde.

Quando o homem começa a progredir na prática dos mandamentos e a invocar incansavelmente o Senhor Jesus, o fogo da santa graça ganha os sentidos mais exteriores do coração; ele consome o joio da terra dos homens, num sentimento de certeza. Daí em diante, as ciladas dos demônios não se aproximam muito dessas paragens; já quase não ferem e mal arranham a parte apaixonada da alma.

Uma vez revestido o combatente de todas as virtudes e sobretudo da pobreza perfeita, a graça ilumina então, de todos os lados, a sua natureza, num sentimento mais profundo ainda, e aquece-a com um grande amor de Deus. As setas dos demônios param antes de atingir o sentido do corpo. A brisa do Espírito Santo impele o coração para o lado dos ventos pacíficos e pára as setas do demônio, enquanto ainda estão no ar.